segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Texto ou não, você.

Quando comecei a escrever eu devia ter uns sete anos. Foi como todo mundo começa, escrevendo diários e contando tudo nos mínimos detalhes. Gostei tanto disso que comecei a ter um por ano e depois um a cada seis meses. Criava histórias, diálogos (com o papel mesmo, quase louca) e tinha todos os cadernos como se fossem meus amigos. Levava-os comigo sempre, fazendo duas ou três anotações por dia. Isso resultou em um grande número de cadernos encaixotados, minha mãe rindo das fases pelas quais passei e um vicio.
O lado bom do vício é que eu viciei em registrar pessoas. Todas que passaram pela minha vida registrei em páginas de diários, achando que se os poetizasse talvez se tornariam imortais. E foi isso que aconteceu, cada vez que alguém ia embora eu a transformava em palavra, mas com o tempo percebi que meus textos eram todos sobre partidas, as minhas ou as dos outros. Poucos falavam de alguém que ficou. Eu gosto disso. Gosto de escrever sobre quem vai.
Talvez a culpa de eu gostar tanto de escrever sobre partidas nem seja tão minha... Talvez as pessoas não fiquem mesmo. Talvez todas elas vão embora porque tem que ir e seja essa mais uma lei da vida. E eu tenha percebido desde o primeiro momento que o que fica não é pessoa, é palavra, é pessoa em palavra.
Daí eu pensei em você e temi te colocar em palavras organizadas, vai que também resolver ir embora. Mas criei coragem e te transformo agora no centro desse texto todo, afinal você é o primeiro que não foi embora ainda, ficou. Meu primeiro texto de alguém que fica e a intenção é que vire uma simpatia, na qual escrever antes que alguém vá a faça ficar.
Particularmente, eu gosto desse vício que virou minha característica. Gosto do fato de que as pessoas nunca fiquem e que você seja candidato a mudar a minha teoria maluca, sendo o primeiro a me fazer escrever algo sobre alguém que ficou. De qualquer forma, me prevenindo, te faço viver mais aqui dentro de mim, do jeito que conheço. Eu só quero ter você por perto, não importa de que maneira, sendo texto ou carne.


Nenhum comentário:

Postar um comentário