Cabelo mau arrumado, a primeira roupa que achou no armário e a cara de quem adiantou um tempo que não era pra adiantar...esgotada, é uma palavra - se não for a única - que me define nesse momento.
Nunca desejei tanto não crescer. Ficar pra sempre acordando em um horário humano - porque para mim, acordar 5:30 da manhã não é coisa de gente - e a maior preocupação do dia ser para qual boneca eu ia dar mais atenção ou qual vizinha seria minha melhor amiga. Sentar na calçada e fazer uma favela imaginando uma mansão, sem me sentir frustrada.
Cresci e de repente todo mundo que cuidava de mim me jogou para o mundo, sem dizer que ia ser assim, cansativo, estressante e muitas vezes frustante. Rezo pra chegar a época mais doentia da vida de um vestibulando e se os outros soubessem dessa reza, com certeza eu não teria mais amigos. Mas não dá para aguentar as horas de sono perdida e a inveja das pessoas que dizem ter dias tediosos, sem contar na vontade de estar fazendo, finalmente, algo que ame, farei a vida inteira sem incomodar.
Monstro do vestibular - como diz uma propaganda de cursinho - me devora logo, e acaba com minha angústia e frustração. Acaba com a pressão e me liberta do único assunto em todas as rodinhas de amigos que frequento: "e aí, qual vestibular vai prestar?"