Quando eu percebi o quanto te amo meu dia estava tão normal que eu nem consegui perceber a notícia antes. O dia com sol, o qual fazia dias que não aparecia, estava ótimo e quente, mas foi só quando ficou de tarde e bem frio que eu percebi.
Deitada ali no seu ombro, depois de ter ficado furiosa com acontecimentos corriqueiros, com a maior vontade de chorar por não poder ficar com você naquele dia todo como era de costume, notei que engolia o choro, engolia a voz e tentava achar outro jeito de acostumar com a situação. Isso porque eu sabia que chorar só te faria sentir culpa pelas lágrimas, falar só faria com que a pressão sobre você aumentasse e não me adaptar seria te perder... E eu aceitaria qualquer coisa menos isso.
No dia que eu percebi o quanto te amo, a praça estava cheirando queimada e o cheiro ficou todo no meu cabelo. Tivemos que andar um pedaço do caminho para pegar o ônibus porque nenhum de nós gosta de esperar e por causa disso quase o perdemos. No mesmo, você ficava mexendo na minha unha e eu disse que o transporte estava fedido, você fez uma piada e nosso riso foi dolorido. Ninguém estava feliz de verdade. Meu coração doeu, torceu e a água quase caiu, era um sorriso que eu nunca mais queria te causar.
Chegamos no destino e tivemos que nos separar. A vida quis ajudar e mandou um motivo para a despedida ser rápida e simples. Você me abraçou apertado e parecia que seu braço, meu peito, nosso corpo estava todo completo, transbordando amor, saudade antecipada e tristeza. Nos soltamos, o mundo voltou a rodar e eu tive que ir, dessa vez sem conseguir segurar a água que o coração torcia para fora... E então eu notei, o tamanho do amor que eu sinto não cabe em mim, jamais passaria com outrem o dia de sol frio na praça cheirando queimada, com o quase perder do ônibus, segurando um balde de mágoa dentro do peito para conservar o sorriso (mesmo que não tão feliz) da pessoa que mais amo nessa vida, na outra e nas próximas mil.