sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Borboletas

"Quando uma mulher muda o cabelo, ela quer mudar de vida". Acontece que não tenho coragem de mudar de cabelo, então decidi mudar meu quarto. Limpei tudo, guardei tudo que era referente à você e nosso amor. As fotos joguei no saquinho de lembranças sem nem mesmo olhar, com medo de chorar e descobrir que ainda sinto sua falta. Parece que a nossa vida toda está no saquinho agora, dentro do meu baú. Dei seu cobertor, suas roupas cafonas e tudo o que você não quis levar.
Decidi ligar o computador e ver minhas fotos, apagar elas também. Que erro! Estava certa de guardar as outras sem olhar. Um monte de lembranças invadiram minha mente e aquela saudade apertou minha garganta querendo me sufocar mais um pouco, me matar mais um pouco. Mas acho que doeu ainda mais porque não era eu que estava morrendo e sim você, aquele seu pedacinho que me completava e me transbordava estava dando um adeus a cada vez que eu escolhia "sim" para a pergunta: "deseja apagar permanentemente essa foto?". Sabe aquele segundo que congelava meu mundo há três anos? Foi embora, descongelou tudo, acelerou o relógio.
Olhei ao redor e percebi depois que meu quarto ficou mais vazio e me bateu um desespero ainda maior. O quarto é a continuação externa do nosso interior e o meu está vazio. No meio de um monte de lágrimas e aquela agonia, estava quase me convencendo de que cometi um erro, quase te ligando e implorando para não me esquecer, sentei na cama e... Entrou uma borboleta pela janela e pousou na minha mão. Olhando aquelas asas lindas, azuis e amarelas, se movimentando bem devagar, fui me acalmando, o coração desacelerou e o nó na garganta se desfez. A borboleta, na crença popular, tem significado de mudança, transformação e libertação. Então olhei ao meu redor... está tudo tão organizado, tão fácil de encontrar o que eu preciso e aquele vazio, não era mais vazio e sim espaço. Espaço para colocar coisas novas, para me movimentar, pra dançar.
Estou mudando, me transformei e me libertei de você. A vida está mais leve. Te dizer o adeus final foi difícil, mas assim como nas fotos é impossível te apagar completamente, pois a sua imagem está ali em todas as coisas que fiz nos últimos três anos, em todo mundo que te conheceu. Mas eu posso fazer mais álbuns, mais fotos, mais vida.
Sorri e decidi olhar todo aquele vazio como espaço permanentemente. Sei que fiz a coisa certa e você agora não passa de um saquinho no meu baú e um monte de lembrança dentro e fora de mim.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

the end

Ecoa o futuro que nem tivemos. A vida que não vivemos e os sorrisos que não demos.
Mas eu não aguento mais. Não aguento mais estender tanto a mão e nunca alcançar nada, dar tanto o meu coração e não te envolver o suficiente.
Quem sou quando estou com você? Sou eu mesma e mesmo assim sinto um buraco, mas ele nem é meu, é seu. Tão grande que eu consigo tocar, sentir, medir, mas nunca me encaixar ali, não importa o que eu faça, tente, pense, grite, inche. Até coloquei mais gente lá comigo, mas daí me sinto mal, porque quando eles vão embora, só sobra eu, você e o seu abismo.
"Às vezes o amor não é suficiente." - eu desacreditei totalmente quando ouvi essa frase um dia, me perguntava sem parar: "- Quando é que o amor não é tudo que se precisa??" e hoje eu tenho essa resposta. E as pessoas falam como se fosse fácil esquecer todos os detalhes da vida que você quer ter. Cansa se esforçar e não ser suficiente, não entender por que todo o amor que eu tenho não te faz amado.
Na minha concepção, amar tem que ser fácil. Sem dependência, sem vício. Não cansa. Tenho andado tão cansada, exausta das tentativas de te cobrir com tudo que tem aqui dentro. Cansada de inflar pra preencher tudo isso que existe em você.
E eu me sinto tão derrotada. Como se a culpa por não continuar fosse minha, que eu entreguei os pontos, provei ser verdade a minha fraqueza e minha miudeza. Mas eu te amo tanto que estou disposta a deixar você pensar que desisti, deixar todos confirmarem suas suspeitas, mas seguir confiante que eu te liberei pra encontrar alguém grande o suficiente para aterrar o abismo que tem aí, sem inflar, sem levar mais gente, sem preencher com papel, água ou qualquer outro material. Simplesmente, servir melhor que eu.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Disseram

"Odeie o jogo, não o jogador" disseram. E eu não posso. Não posso porque não quero acreditar que todos iguais. Nascemos iguais, mas escolhemos no que nos tornamos. E se tornar em um mau jogador é uma escolha, fazer um mau jogo é uma opção.
Estamos em um tempo no qual tira-se a responsabilidade das pessoas e culpamos o momento, o mundo, a vida, a essência. Mas se prestarmos bastante atenção, veremos que quase tudo o que acontece não é culpa de Karma, Deus, destino, e sim nossa. Nossa culpa não apenas de uma maneira ruim, boa também. Conseguimos coisas ou as perdemos por nós mesmos, somos bons ou ruins quando nos convêm um dos dois, quando decidimos ser assim. Ninguém é de todo um mau jogador, não existem somente maus jogares. Então eu culpo as pessoas sim, os jogadores. São eles que fazem o jogo, somos nós que decidimos por qual caminho seguir.
Eu já vi a pureza e tenho a sorte de presenciá-la todos os dias. A bondade me faz acreditar e não desistir de pensar que existe sim bons jogadores, a não me conformar com os ruins e não enxergá-los como únicos, mas o mais importante, me ensina a jamais enxergar a pureza e a bondade como completas.
Jamais culpe o jogo, culpe a si mesmo, culpe quem joga, mas mude, assuma o controle de suas ações e enxergue que o outro também é dessa maneira. Permita-se ser mais humano, não dói.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

90 sorrisos alagados

São 90 dias. Parece um longo tempo quando se trata da primeira parcela de algo, para se programar uma viagem, para começar o regime, emagrecer... Mas não pra entender ou aceitar. Acredita que eu ainda falo como se você estivesse aqui? Acredita que as coisas que tinham o seu nome ou o seu cheiro, continuam assim? E eu ainda acho que você estará lá pra me xingar porque faz tempo que não vou te visitar. Na verdade, ando evitando sua casa... vivendo na desculpa criada pela minha mente pra não doer a sua ausência. Perceba que estou fazendo isso agora, escrevendo tudo isso como se você fosse ler.
É, ainda não aceitei, não entendi, não acredito. E não me conformo com a minha infantilidade, em relação à isso. Não consigo entrar na sua casa - que ainda não perdeu o adjetivo pertencente à você- e ficar mais de dois minutos sem te encontrar lá, parece que me sufoca, o silêncio ali me ensurdece, na verdade.
Falar sobre você é doce e suave, parece que me leva pro seu lado e faz parecer que ainda está aqui.
São 90 dias. Noventa buracos no coração, noventa pedacinhos de alma se ela fosse palpável. Se desse pra medir a saudade, seriam noventa quilômetros de saudade, noventa olhadas nas nossas fotos e muito mais do que novena lágrimas no meu travesseiro. Mas também somaram muito mais de noventa sorrisos as lembranças trazidas com as fotos, com os contos e causos e aconchegos que isso me traz, por isso entendo que está melhorando, que está passando, os sorrisos alagados estão secando. Na verdade, achar que você ainda está aqui não é defesa, é realidade, fato... Você está em cada pedacinho do meu mundo, em cada pessoa que te conheceu, por todo lugar que passou e sorriu.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Dia do amigo... dia do MEU amigo.

Há algum tempo eu pedi um presente para minha mãe e pai: um irmão. Fui clara no pedido: um irmão legal pra brincar comigo. Meu neném chegou faz 18 anos hoje. E olhe só que coincidência, você nasceu no dia do amigo! Tem como ganhar presente melhor? Ganhei o melhor irmão que alguém poderia ter e ainda um amigo que vai ser eterno. Mais confiável impossível, mais engraçado difícil.
Quando você veio, sentia como se fosse algo de minha posse, tão meu que fui eu que decidi seu nome, avisei a família toda que ele tinha chegado... Como se alguém famoso tivesse chego na cidade. Eu te tirava do berço, queria te olhar o tempo todo e fazia questão da sua presença em todas as brincadeiras... Desde então nos tornamos inseparáveis.
Sua primeira palavra foi "Lalau" e eu permiti o primeiro e único apelido da minha vida.
Você brincava de boneca comigo (tudo bem que você brincava de karatê com elas), eu de carrinho com você, destruíamos a casa juntos e infernizávamos as pessoas. Tínhamos coleções de tatu, de figurinhas, de cartas de "yuh- gi- oh!", carrinhos, etc.
Qualquer pedaço de papel virava diversão quando estávamos juntos, estantes vazias eram cavernas e mesas cobertas com lençol eram cabanas. Seus machucados eram sempre culpa minha, mesmo que eu estivesse longe e as brigas eram sempre por sua culpa, mesmo que eu tivesse começado.
Crescemos mais um pouquinho e nos defendíamos na escola, sentíamos ciúmes de todos, nos apoiávamos nas crises adolescentes, trocávamos segredos e piadas.
Hoje com 18 anos quero que saiba o quanto me orgulho da pessoa que você se tornou. Seu futuro é brilhante, nunca duvide disso, nunca esqueça que você é minha estrela, meu apoio, meu amor maior. Só eu posso te bater, te xingar e fingir que não te amo. Só você sabe que tudo isso é teatro e que a verdade está escrita aqui. As mãos que estão juntas na foto estarão assim a vida toda.
Meu cumplice, te amo demais e você merece toda a felicidade do mundo. Parabéns

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Pessoal

Queria que vocês vissem, com ênfase na diferença entre enxergar e ver, o quanto o sorriso dele se ilumina quando está comigo, maior que o brilho do sorriso é o brilho dos olhos. Que vissem o quão homem ele é quando me abraça, o quão herói ele se torna ao me proteger assim. Notem o som da risada que é sincera quando está comigo, o quanto ele se aconchega em mim.
Sou eu que o levo conhecer lugares nos quais nunca pensou em ir, que o tiro da rotina e faço com que ele queira crescer. Sou eu quem leva ele a pensar coisas que jamais pensaria, ajudo em coisas que ninguém ajudaria e passei com ele por coisas que ninguém mais quis passar.
E é ele que me tira o ar, coloca chão, agrega sorrisos, constrói juízo, arranca suspiros, me faz querer ser adulta... Agora me digam, para que ser contra tudo isso?
Pouparei muitas explicações e direi, não fiquem no caminho, segurei sua mão e é assim que enfrentaremos o mundo, o universo, os monstros, vocês. Meu guardião e eu.

sábado, 26 de maio de 2012

"pudim de pão"

Hoje acordei e não sei porque pensei no meu aniversário, lembrei que nunca mais eu vou acordar com o telefone tocando e do outro lado a voz mais doce do mundo cantando "parabéns pra você, nessa data querida..." e desejando o melhor e mais sincero voto de aniversário. Lembrei também de quando eu fiz 19 anos e você veio na festa, colocou-me sentada no seu colo e disse "Quem tem esse privilégio de sentar no colo da vó de 80 anos ao fazer 19?". E quer saber? Era um privilégio mesmo não por ser o colo de alguém de 80 anos, mas por ser o seu colo e ter você me tratando como sempre tratou: "a sua menininha".
Para mim que estou acostumada a chegar na "casa da vó" e te ver vindo com aquele olhar calmo, mãos descansando na frente da barriga, com um sorriso que cabia o meu amor e o seu inteiro, oferecendo "pudim de pão da vó", vai ser difícil entrar e não te ver mais, não te mostrar meus trabalhos da faculdade pra você explodir de orgulho de mim e contar pra todo mundo. Mais difícil ainda vai ser ir embora sem a "benção da vó", seu abraço apertado, o beijinho na testa, o elogio à altura do meu irmão e seus "toques de mão" porque "você é uma avó atualizada".
Quem vai pegar no meu pé para que eu aprenda crochê, tricô e costurar? Como vou lidar com as memórias de você sempre me protegendo do mundo e cantando pra mim quando algo doía? Até guardanapos me lembram você, com as bonecas que me distraíam por horas. A cada palavra que escrevo aqui as lembranças saltitam e meu coração vai abrindo um buraco. É isso que é a sua partida, um buraco em mim, diferentes das outras perdas que parecem que o coração está doendo porque tem alguém apertando ele, a dor da perda pela morte dói como se um buraco estivesse sendo feito, um oco no peito estivesse sendo forçado a existir. Nesse oco só cabe você, com seu jeitinho.
"O céu é um lugar lindo. Lá nada dói, não existe raiva, não existe problemas. Os animais vivem em harmonia e os humanos também. É uma paz muito grande e uma alegria sem fim" - Era assim que você me descrevia o lugar para onde vamos quando morremos. Cresci, meus conceitos mudaram e essa visão sumiu de mim, mas hoje eu nunca quis estar mais errada, quero que você esteja nesse lugar onde sempre quis estar, com a alegria que sempre buscou, a paz que sempre quis.
Meu amor egoísta não queria que você fosse embora, meu amor cego não te viu ir, meu amor bobo se recusa a aceitar sua partida e o mais bobo ainda acha que vou chegar na sua casa e te ver dizendo que é tudo mentira, que foi só um sonho ruim e está tudo bem.
A casa e o pudim não têm mais identidade própria e o mundo tem uma pessoa moderna a menos, um carinho imenso a menos. Mas você? AH você é eterna, vovó.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Muito cedo para escrever sobre sentimentos e pra afirmar muita coisa, o que está acontecendo agora nada mais é do que confusão. Não sobre sentimentos, mas de personalidade, de um "eu".
Perdi-me no caminho, não sei em qual momento, e esqueci o que é certo ou errado, o que quero ou não. É como se eu não me habitasse mais, visse minhas ações de fora sem ao menos julgar tais atos.
Sou alheia a tudo o que acontece e sobra apenas um coração apertado, dolorido, faltando um porque de tanto drama.
Estou esperando o incomodo passar pra eu voltar a viver como uma só de novo, alguém aparecer e me empurrar pra dentro, que aqueça minha alma e eu volte a me importar, ou pelo menos viver sem machucar ninguém.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Realidade de um sonho

Hoje sonhei com você. Quem me dera fosse um trecho de música de amor em que tudo acaba bem. Você passava por mim e ficávamos nos olhando enquanto terceiros não envolvidos na mágoa que atingiu toda nossa base, estrutura, amizade, amor, conversavam sobre algo que nem notávamos. Ficamos ali, sem saber o que falar e mesmo sendo sonho e sendo meu, eu não sabia o que se passava na sua cabeça, talvez por isso estivesse tão real. 
A minha aflição de saber se no seu olhar tinha saudades ou ódio era tanta mas quase incomparável com a vontade de ouvir um pedido de desculpas. E toda aquela tensão no ar iria continuar se não fosse por um dos meninos que estavam conversando, entrar em um assunto no qual tínhamos a mesma opinião.
E assim, num passe de mágica, como antigamente, concordamos em algo e você sorriu, eu sorri e tudo voltou como a ser como era antes. Mas eu sempre tive os pés no chão e como naqueles filmes antigos que dão erro, a história foi cortada e eu apareci caminhando, com os pés na areia, conversando de novo com alguém não identificado, dizendo que você não é simples assim, não mais.