Decidi ligar o computador e ver minhas fotos, apagar elas também. Que erro! Estava certa de guardar as outras sem olhar. Um monte de lembranças invadiram minha mente e aquela saudade apertou minha garganta querendo me sufocar mais um pouco, me matar mais um pouco. Mas acho que doeu ainda mais porque não era eu que estava morrendo e sim você, aquele seu pedacinho que me completava e me transbordava estava dando um adeus a cada vez que eu escolhia "sim" para a pergunta: "deseja apagar permanentemente essa foto?". Sabe aquele segundo que congelava meu mundo há três anos? Foi embora, descongelou tudo, acelerou o relógio.
Olhei ao redor e percebi depois que meu quarto ficou mais vazio e me bateu um desespero ainda maior. O quarto é a continuação externa do nosso interior e o meu está vazio. No meio de um monte de lágrimas e aquela agonia, estava quase me convencendo de que cometi um erro, quase te ligando e implorando para não me esquecer, sentei na cama e... Entrou uma borboleta pela janela e pousou na minha mão. Olhando aquelas asas lindas, azuis e amarelas, se movimentando bem devagar, fui me acalmando, o coração desacelerou e o nó na garganta se desfez. A borboleta, na crença popular, tem significado de mudança, transformação e libertação. Então olhei ao meu redor... está tudo tão organizado, tão fácil de encontrar o que eu preciso e aquele vazio, não era mais vazio e sim espaço. Espaço para colocar coisas novas, para me movimentar, pra dançar.
Estou mudando, me transformei e me libertei de você. A vida está mais leve. Te dizer o adeus final foi difícil, mas assim como nas fotos é impossível te apagar completamente, pois a sua imagem está ali em todas as coisas que fiz nos últimos três anos, em todo mundo que te conheceu. Mas eu posso fazer mais álbuns, mais fotos, mais vida.
Sorri e decidi olhar todo aquele vazio como espaço permanentemente. Sei que fiz a coisa certa e você agora não passa de um saquinho no meu baú e um monte de lembrança dentro e fora de mim.
