Sei falar tão bem de todos e geralmente os conheço com a palma da mão. Me orgulho disso, mas quando se trata de mim, me torno contraditória, e quando não entendem o que estou tentando descrever, desisto, deixo que pensem o que quiserem de mim.
Só agora fui perceber que o não conseguir me descrever me descreve. Sou uma eterna contradição, amo e odeio em questão de segundos. Não penso duas vezes antes de dizer nada e não hesito em jogar fora o que de uma hora pra outra não me agrada mais. Só me preocupo com o que eu penso sobre mim, suas opiniões não fazem sentido e não me importam.
Me entedio com o que é comum, normal e quanto mais complicado mais me chama a atenção. O que é natural e escrachado me diverte, e essas qualidades em pessoas me impressionam pois as acho corajosas. Talvez por que eu saiba o quanto é difícil e raro ser você mesmo, porque eu também já usei essas máscaras e sei o quanto é difícil mantê-las a ainda mais quando elas caem.
Nenhuma das suas perguntas clichês me intrigam: quem eu sou, onde estou, o que faço. Apenas respondo por ser extremamente automático.
Nada do que perguntar fará com que me conheça e muito menos ler esse texto. Se quer mesmo me entender, saber quem sou, comece pelo que eu não disse, de vez de perguntar, desperte minha vontade de dizer.
Desperte em mim a vontade de te entender e a grande muralha que sou por fora, vai mostrar a inocência que guardo dentro.