sábado, 26 de maio de 2012

"pudim de pão"

Hoje acordei e não sei porque pensei no meu aniversário, lembrei que nunca mais eu vou acordar com o telefone tocando e do outro lado a voz mais doce do mundo cantando "parabéns pra você, nessa data querida..." e desejando o melhor e mais sincero voto de aniversário. Lembrei também de quando eu fiz 19 anos e você veio na festa, colocou-me sentada no seu colo e disse "Quem tem esse privilégio de sentar no colo da vó de 80 anos ao fazer 19?". E quer saber? Era um privilégio mesmo não por ser o colo de alguém de 80 anos, mas por ser o seu colo e ter você me tratando como sempre tratou: "a sua menininha".
Para mim que estou acostumada a chegar na "casa da vó" e te ver vindo com aquele olhar calmo, mãos descansando na frente da barriga, com um sorriso que cabia o meu amor e o seu inteiro, oferecendo "pudim de pão da vó", vai ser difícil entrar e não te ver mais, não te mostrar meus trabalhos da faculdade pra você explodir de orgulho de mim e contar pra todo mundo. Mais difícil ainda vai ser ir embora sem a "benção da vó", seu abraço apertado, o beijinho na testa, o elogio à altura do meu irmão e seus "toques de mão" porque "você é uma avó atualizada".
Quem vai pegar no meu pé para que eu aprenda crochê, tricô e costurar? Como vou lidar com as memórias de você sempre me protegendo do mundo e cantando pra mim quando algo doía? Até guardanapos me lembram você, com as bonecas que me distraíam por horas. A cada palavra que escrevo aqui as lembranças saltitam e meu coração vai abrindo um buraco. É isso que é a sua partida, um buraco em mim, diferentes das outras perdas que parecem que o coração está doendo porque tem alguém apertando ele, a dor da perda pela morte dói como se um buraco estivesse sendo feito, um oco no peito estivesse sendo forçado a existir. Nesse oco só cabe você, com seu jeitinho.
"O céu é um lugar lindo. Lá nada dói, não existe raiva, não existe problemas. Os animais vivem em harmonia e os humanos também. É uma paz muito grande e uma alegria sem fim" - Era assim que você me descrevia o lugar para onde vamos quando morremos. Cresci, meus conceitos mudaram e essa visão sumiu de mim, mas hoje eu nunca quis estar mais errada, quero que você esteja nesse lugar onde sempre quis estar, com a alegria que sempre buscou, a paz que sempre quis.
Meu amor egoísta não queria que você fosse embora, meu amor cego não te viu ir, meu amor bobo se recusa a aceitar sua partida e o mais bobo ainda acha que vou chegar na sua casa e te ver dizendo que é tudo mentira, que foi só um sonho ruim e está tudo bem.
A casa e o pudim não têm mais identidade própria e o mundo tem uma pessoa moderna a menos, um carinho imenso a menos. Mas você? AH você é eterna, vovó.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Muito cedo para escrever sobre sentimentos e pra afirmar muita coisa, o que está acontecendo agora nada mais é do que confusão. Não sobre sentimentos, mas de personalidade, de um "eu".
Perdi-me no caminho, não sei em qual momento, e esqueci o que é certo ou errado, o que quero ou não. É como se eu não me habitasse mais, visse minhas ações de fora sem ao menos julgar tais atos.
Sou alheia a tudo o que acontece e sobra apenas um coração apertado, dolorido, faltando um porque de tanto drama.
Estou esperando o incomodo passar pra eu voltar a viver como uma só de novo, alguém aparecer e me empurrar pra dentro, que aqueça minha alma e eu volte a me importar, ou pelo menos viver sem machucar ninguém.