São 90 dias. Parece um longo tempo quando se trata da primeira parcela de algo, para se programar uma viagem, para começar o regime, emagrecer... Mas não pra entender ou aceitar. Acredita que eu ainda falo como se você estivesse aqui? Acredita que as coisas que tinham o seu nome ou o seu cheiro, continuam assim? E eu ainda acho que você estará lá pra me xingar porque faz tempo que não vou te visitar. Na verdade, ando evitando sua casa... vivendo na desculpa criada pela minha mente pra não doer a sua ausência. Perceba que estou fazendo isso agora, escrevendo tudo isso como se você fosse ler.
É, ainda não aceitei, não entendi, não acredito. E não me conformo com a minha infantilidade, em relação à isso. Não consigo entrar na sua casa - que ainda não perdeu o adjetivo pertencente à você- e ficar mais de dois minutos sem te encontrar lá, parece que me sufoca, o silêncio ali me ensurdece, na verdade.
Falar sobre você é doce e suave, parece que me leva pro seu lado e faz parecer que ainda está aqui.
São 90 dias. Noventa buracos no coração, noventa pedacinhos de alma se ela fosse palpável. Se desse pra medir a saudade, seriam noventa quilômetros de saudade, noventa olhadas nas nossas fotos e muito mais do que novena lágrimas no meu travesseiro. Mas também somaram muito mais de noventa sorrisos as lembranças trazidas com as fotos, com os contos e causos e aconchegos que isso me traz, por isso entendo que está melhorando, que está passando, os sorrisos alagados estão secando. Na verdade, achar que você ainda está aqui não é defesa, é realidade, fato... Você está em cada pedacinho do meu mundo, em cada pessoa que te conheceu, por todo lugar que passou e sorriu.